Relato de Caso Clínico – Protocolo

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RELATO DE CASO CLÍNICO (RCC)

Trata-se de publicação muito útil que pode trazer contribuições importantes para o diagnóstico, indicar novas opções terapêuticas ou ajudar a esclarecer a fisiopatologia das doenças.

 

 

 

Particularidades protocolares do RCC

? Deve relatar uma observação, comentando-a brevemente.
? Deve conter elementos originais sobre uma técnica diagnóstica, tratamento ou fisiopatologia.
? Deve apresentar algo de particular relevância, como, por exemplo, introduzir sugestões para o diagnóstico e/ou para a terapêutica.
? O caso clínico deve ser estudado com rigor não deixando dúvidas quanto às interpretações semiológicas, aos exames complementares e às bases em que se firmaram o diagnóstico e a evolução.
? Não deve conter a revisão da literatura a partir do caso isolado e nem caracterizar-se como um artigo didático sob o pretexto de comentar uma observação.

 

Composição do RCC

Título

Deve descrever de forma adequada o conteúdo do trabalho com o menor número possível de palavras.
Exemplos:
(*) OCLUSÃO ATEROSCLERÓTICA DA AORTA ABDOMINAL COM FLUXO ARTERIAL PARA OS MEMBROS INFERIORES MANTIDO PELA ARTÉRIA MESENTÉRICA INFERIOR – RELATO DE CASO (disponível em http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?pid=s0101-59072007000400011&script=sci_arttext acessado em 01/12/2015).
(*) SINDROME DE ANGELMAN: RELATO DE CASO CLÍNICO (disponível em http://www.unip.br/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2005/03_jul_set/V23_N3_2005_p_235-238.pdf acessado em 01/12/2015).
(*) TRATAMENTO HOMEOPÁTICO DA DEPRESSÃO: RELATO DE SÉRIE DE CASOS (disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832008000200005 acessado em 01/12/2015).
(*) HOMEOPATIA NAS NEUROPATIAS DA INFÂNCIA: RELATO DE CASO DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NEONATAL (disponível em http://lamasson.com.br/biblioteca/biblioteca/pesquisahomeopatica/artigo03n2avcinfantil.htm acessado em 01/12/2015).

 

Nome, credencial e local de atividade do autor ou autores

Exemplo:
Ubiratan Cardinalli AdlerI; Nielce Maria de PaivaII; Amarilys de Toledo CésarIII; Maristela Schiabel AdlerIV; Adriana MolinaV; Helena Maria CalilVI

IMédico homeopata, mestre em Ciências, doutorando do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM)
IIMédica homeopata, assistente de Pesquisa Clínica – Pós-graduação em Homeopatia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ)
IIIFarmacêutica homeopata, doutora em Saúde Pública, professora de Pós-graduação em Homeopatia da FMJ
IVMédica homeopata, mestre em Ciências, professora da Pós-graduação em Homeopatia da FMJ
VFarmacêutica homeopata, mestre em Ciências, professora da Pós-graduação em Homeopatia da FMJ
VIMédica psiquiatra, chefe da disciplina de Psicofarmacologia do Departamento de Psicobiologia da Unifesp/EPM

 

Resumo (apresentação sintética dos pontos relevantes do texto)

Conteúdo desejado:
(*) Introdução ou contexto: breve justificativa da conveniência de relatar o caso.
(*) Relato do caso ou casos de forma objetiva e concisa, enfocando os aspectos essenciais que caracterizam a doença.
(*) Discussão, descrevendo as consequências dos achados para a prática clínica

Exemplos:
“CONTEXTO: Não há estudos metodologicamente adequados sobre a eficácia da homeopatia na depressão. Relatos de casos clínicos são os primeiros degraus da evidência clínica, a caminho de estudos controlados.
OBJETIVO: Relatar resultados preliminares do tratamento homeopático de pacientes com depressão no SUS de Jundiaí.
MÉTODO: Revisão dos prontuários dos casos novos, atendidos entre março e dezembro de 2006. O diagnóstico foi confirmado por entrevista estruturada. Os pacientes receberam homeopatia individualizada e a evolução foi avaliada pela escala de Montgomery & Åsberg (MADRS).
RESULTADOS: Foram tratados 15 casos e observou-se resposta terapêutica (redução maior que 50% dos escores de depressão) em 14 pacientes (93%), após uma média de sete semanas de tratamento; um paciente apresentou piora clínica e foi encaminhado ao tratamento convencional. O escore média (± dp) na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Åsberg diminuiu de 24,9 (± 5,8) a 9,7 (± 8,2, p <,0001) na segunda avaliação, resultados mantidos no decorrer da terceira e quarta consultas.
CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que a homeopatia pode ser uma alternativa terapêutica no tratamento da depressão, mas estudos randomizados e controlados são necessários para se testar a eficácia e segurança do tratamento homeopático dos transtornos depressivos”.
(verbos no passado e na terceira pessoa do singular)
(Adler, UC et all, 2008)

 

Palavras chave

Utilizar Descritores em Ciências da Saúde (DeCS)- disponível em http://decs.bvs.br/ acessado em 01/12/2015.
Exemplo:
Palavras-chave: Homeopatia, depressão, SUS, relato de série de casos.

Introdução

Apresenta o caso ou casos que será (serão) relatado (s) com a justificativa e objetivo que deram origem à decisão de relatá-lo (s); deve incluir breve revisão da literatura.
(verbos no passado para falar sobre o trabalho apresentado e no presente para citar os resultados já publicados – ao falar dos objetivos deve ser usada a forma verbal infinitiva).

Exemplo:
Introdução
“O tratamento convencional da depressão com antidepressivos apresenta resposta terapêutica, ou seja, redução maior que 50% do escore basal1 em torno de 50% a 60% dos pacientes tratados2. Os antidepressivos não impedem altos índices de recorrência da doença3,4, produzem efeitos adversos freqüentes e clinicamente relevantes5, sendo até evitados por pacientes mais idosos após uma experiência negativa com seu uso6.
A depressão é um dos principais motivos para o uso de terapias alternativas e complementares nos Estados Unidos7 e o tratamento homeopático é uma das alternativas terapêuticas procuradas por esses pacientes.
A Homeopatia é uma terapêutica desenvolvida pelo médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843), reconhecida como especialidade médica no Brasil desde 1980, reconhecimento reafirmado em 2002, por meio da Resolução CFM nº 1634/2002.
A recém-publicada Portaria nº 971 do Ministério da Saúde (DOU, Seção 1, nº 84, 04/05/2006, p. 20) aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), estabelecendo diretrizes para a incorporação da Homeopatia ao SUS e para avaliação da atenção homeopática em parceria com instituições formadoras, universidades, faculdades e outros órgãos dos governos federal, estaduais e municipais.
Antecipando-se à Portaria 971, em agosto de 2003 a Faculdade de Medicina de Jundiaí, São Paulo, inaugurou o único curso de Especialização em Homeopatia no país oferecido por uma Faculdade de Medicina e aprovado pelo Conselho Estadual de Educação (http://www.fmj.br).
A partir de fevereiro de 2004, o ambulatório-escola de Homeopatia passou a funcionar como um serviço de atenção secundária à saúde, recebendo encaminhamentos da rede básica, direcionados para a primeira especialidade ou projetos de pesquisa dos preceptores, como é o caso do ambulatório de homeopatia e transtornos depressivos.
Se ainda não existem evidências científicas favoráveis ao uso da Homeopatia na depressão, também não as há em contrário, pois os poucos estudos clínicos existentes não são metodologicamente adequados8.
Assim apresentamos a seguir uma série de casos clínicos de depressão tratados exclusivamente com Homeopatia no Ambulatório de Homeopatia e Transtornos Depressivos no SUS de Jundiaí”.
(Adler, UC et all, 2008)

 

Relato do caso

A doença deve ser descrita de forma qualitativa, fenomenológica.
Pode descrever um paciente, uma família ou uma pequena amostra de pacientes (neste último caso devem ser numerados: caso 1, caso 2, etc.); não necessidade de referir as iniciais do nome do paciente e nem o número do prontuário.
Sequência das informações:
(*) Identificação
(*) Queixa principal
(*) Motivo do atendimento
(*) História
(*) Exame físico
(*) Exames complementares
(*) Evolução
(*) Resultados (exame necroscópico, se houver).

 

Discussão

Segundo GUSMÃO e SILVEIRA (1999) seu conteúdo deve seguir a seguinte sequência:
• “Dimensionar a qualidade e a originalidade do caso relatado, como contribuição ao debate científico”.
• “Comparar a interpretação e os achados com aqueles da literatura, chamando a atenção para as concordâncias e discordâncias”.
• “Indicar qualquer exceção ou falta de coerência e evidenciar os aspectos duvidoso, delimitando claramente os aspectos não resolvidos”.
• “Discutir as implicações teóricas dos achados, assim como as possíveis aplicações práticas.

 

Referências bibliográficas

Deve ser feito:
(*) Inserção da citação no texto: sugerimos o “Sistema de Vancouver” (numérico em ordem de citação em sobrescrito)
Exemplo:
O tratamento … escore basal1 … pacientes tratados2. Os antidepressivos … doença3,4, produzem … relevantes5, sendo até … seu uso6.
(*) Listagem das referências bibliográficas; ordenação sistemática dos trabalhos referidos: sistema de Vancouver, ABNT, etc.

Exemplo:
1. Keller MB. Past, present and future directions for defining optimal treatment outcome in depression: remission and beyond. JAMA. 2003;289(23):3152-60.
2. Papakostas GI, Fava M. A meta-analysis of clinical trials comparing milnacipran, a serotonin-norepinephrine reuptake inhibitor, with a selective serotonin reuptake inhibitor for the treatment of major depressive disorder. Eur Neuropsychopharmacol. 2007;17(1):32-63. Mueller TI, Leon AC, Keller MB, Solomon DA, Endicott J, Coryell W, et al. Recurrence after recovery of major depressive disorder during 15 years of observational follow-up. Am J Psychiatry. 1999;156(7):1000-6.
4. Solomon DA, Leon AC, Mueller TI, Coryell W, Teres JJ, Posternak MA, et al. Tachyphylaxis in unipolar major depressive disorder. J Clin Psychiatry. 2005;66(3):283-90.
5. Deitos F, Copette FR, Pasqualotto AC, Segat FM, Santos RP, Guillande S. Antidepressivos e seus efeitos colaterais, quais säo e como reconhecê-los. Rev Bras Clín Ter. 1999;25(2):63-70
6. Givens JL, Datto CJ, Ruckdeschel K, Knott K, Zubritsky C, Oslin DW, et al. Older patients’ aversion to antidepressants. A qualitative study. J Gen Intern Med. 2006; 21(2):146-51

 

Bibliografia específica consultada:

1.Gusmão SG e Silveira RL. Redação de um relato de caso. J.Bras.Neurocirurg 10(2): 62-
65, 1999.
2.Ventura, MM. O estudo de caso como modalidade de pesquisa. Rev SOCERJ : 20
(5) :383-386, 2007.