A epidemiologia é considerada a ciência básica do clínico. Pois, abrange os aspectos que interferem na prática do consultório, além de ser fundamental quando é necessário ponderar acerca de um modelo de pesquisa. Afinal, escrever um protótipo de pesquisa sem conhecer epidemiologia é perder tempo.

Apesar de ser um termo indigesto, a epidemiologia é necessária para completar a formação clínica e, principalmente, para quem deseja fazer pesquisa, como as diversas propostas nesse período de pandemia.

Casos clínicos em tempos de coronavírus

Nos primeiros meses da pandemia do novo coronavírus um exemplo de caso clínico avaliou os tipos de pneumonia nos pacientes com COVID-19. Assim, foi realizada uma observação clínica, documentada em imagens e publicada.

Em outro estudo foram analisados 157 casos de diagnóstico positivo do novo coronavírus, onde se avaliou a alteração imune dos pacientes acometidos pela doença, afetados pela pneumonia causada pelo vírus nas fases leve e moderada e que apresentaram alterações de padrões imunológicos.

Estudos de coorte para entende a dinâmica do COVID-19

Estudos de coorte ou estudos observacionais analíticos: usados para descrever um grupo de indivíduos com algo em comum quando agrupadas e que são observadas por um período para analisar o que acontece.

Num exemplo de estudo de coorte prospectiva, no Reino Unido foi realizado um estudo étnico e sócio econômico, que analisou uma base de dados para determinar se existe diferença entre as várias etnias e grupos sócios econômicos, quando falamos de contágio do COVID-19.

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Entre os grupos étnicos os pesquisadores observaram que os asiáticos e negros desenvolveram mais a doença do que os indivíduos caucasianos.

Isso demonstrou que existe uma relação entre a falta de qualificação profissional e classe social com o maior risco de contrair a doença. Esse estudo foi desenvolvido com o propósito de destacar a importância do isolamento social, e como isso não acontece da maneira como deveria em alguns grupos sociais.

Exemplo de estudo de coorte mal direcionado

Em 1998 Andrew Wakefield publicou um artigo no The Lancet que associava a vacina MMR com o transtorno do espectro autista (TEA). Para contestar essa pesquisa foram analisados através do estudo de coorte retrospectiva, estudo conduzido a partir da identificação de documentos arquivados do desfecho, registros de mais de 650 mil crianças dinamarquesas, nascidas entre 1999 e 2010, desde os primeiros dias de nascido até 2013.

No total, 6517 crianças foram diagnosticadas com TEA, sendo que o risco entre vacinados e não vacinados foi semelhante. Logo, e estudo mostrou que não existe uma relação entre a vacina e o desenvolvimento do autismo.

Esse foi um episódio extremamente ruim para o histórico da medicina, tanto que fez o autor ser processado, perder a licença e ter que se retratar publicamente.

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