Comissão de Avaliação de Cursos

Composição:
Carlos Alberto Fiorot – ES – Coordenador
Luiz Fernando Freitas Guedes – ES
Regina Coeli Kotke - RN
Renato Sampaio Azambuja – RS
Vitor Tarouco Oliveira de Oliveira - RS

E-mail: comissaoavaliacaocursos@amhb.org.br

Em: 17/12/2006
Proposta E Plano de Avaliação de Cursos
I.INTRODUÇÃO

A formação do homeopata, em termos quantitativos e qualitativos, é condição essencial no processo de desenvolvimento da homeopatia brasileira. Neste sentido, as entidades formadoras, como elementos institucionais, apresentam indiscutível e relevante papel. Em que pesem as inúmeras dificuldades e diferenças entre as escolas formadoras, seja no sentido estrutural, financeiro, no número de alunos matriculados, ou regiões onde atuam, percebemos que o desafio mais essencial é buscar uma uniformidade na qualidade de formação dos novos homeopatas em todo o Brasil, superando os limites impostos por toda esta heterogeneidade.

Neste primeiro ano de gestão da atual CAC da AMHB, procuramos desenvolver um triplo esforço, visando preparar as condições para que a partir do segundo ano, possamos dar início à materialização da experiência avaliativa propriamente dita. Assim procuramos:

1) trabalhar a formação da nova comissão, tarefa esta concluída até o período do Congresso Brasileiro de Homeopatia deste ano, onde se deu a reunião presencial da comissão junto à diretoria e às outras comissões da AMHB, na qual foram discutidas e apresentadas as idéias iniciais para o plano de AVALIAÇÃO de CURSOS, descrita logo abaixo;

2) procuramos nos inteirar dos esforços anteriores, de outras gestões, no sentido de valorizarmos e aproveitarmos as experiências já vividas pela AMHB. Neste sentido, de mais importante, destacamos o Protocolo de Avaliação de Cursos na gestão 94/96, e o relatório de atividades elaborado pela COMISSÃO DE EDUCAÇÃO em parceria com o CEF, no período 2003/2005, assim como o relato da Coordenadora da CAC desta mesma gestão (2003/5) na tentativa de incentivar as Entidades Formadoras para que aderissem ao projeto do protocolo de avaliação, esforço este que não parece ter dado resultado positivo, de forma que o trabalho tem se mostrado incipiente e sem frutos materializados;

3) desenvolver ao mesmo tempo esforço no sentido de apresentar um plano de orientação para avaliação de cursos, que levasse em consideração as dificuldades e diferenças entre as escolas, mas que pudesse ser totalmente viável em sua aplicação, garantindo a adesão das entidades formadoras no processo de sua execução. Em função dos argumentos até aqui apresentados, preferimos optar pelo caminho da avaliação prioritariamente pedagógica, em detrimento da avaliação estrutural.

II. OBJETIVOS

Entendemos ser importante destacar os seguintes ítens como objetivos:
1) buscar uma gradual uniformidade na formação dos homeopatas brasileiros, nas diferentes instituições formadoras, no sentido de adequar a aplicação do currículo mínimo, mas com elevação gradual e contínua da qualidade, através de projeto viável e exeqüível de aperfeiçoamento, garantindo gradualmente a melhoria no preparo do médico homeopata, tanto no sentido teórico, quanto prático. Levar a entidade formadora a cumprir o seu ímpar e principal papel no contexto da homeopatia brasileira, que é a boa formação profissional do especialista;

2) zelar pela aplicação do currículo mínimo, com gradual e crescente aproveitamento no resultado final, no que diz respeito às diversas áreas temáticas necessárias à boa formação do homeopata, quais sejam: filosofia, matéria médica, farmacotécnica, clínica e terapêutica e semiologia;

3) fazer o diagnóstico das dificuldades pedagógicas, e buscar a equiparação dos cursos em sua capacidade de formação, através de um persistente trabalho de avaliação-orientação-reavaliação-reorientação... de forma sucessiva, estimulando o espírito de colaboração, de respeito, de parceria, entre todas as instituições, para realizar a superação de suas dificuldades, dentro dos critérios educacionais orientados pela COMISSÃO DE EDUCAÇÃO;

4) traçar plano de baixo custo em sua aplicação, sem perder de vista o objetivo principal, para que nenhuma escola fique fora das possibilidades de aderir e participar do mesmo;

5) nivelar por cima, cada vez mais, as escolas formadoras, e melhorar a média da qualidade da homeopatia brasileira. Estimular a cooperação entre as mesmas, no sentido de interagirem para buscar coletiva e solidariamente estes resultados.

III. AVALIAÇÃO DE CURSOS/PROVA DE TÍTULO DE ESPECIALISTA

A prova de título de especialista em homeopatia, tem como objetivo central permitir avaliar se o aluno está apto para receber o respectivo título. Por isso, bem aproveitada e analisada, ela pode fornecer ótimo material para avaliar, além do aluno, também a escola formadora.

Neste sentido, propomos identificar quatro índices, que levem em consideração a totalidade das questões/pontuações da prova e os valores das questões/pontuações aproveitadas pelos alunos, conforme descrevemos abaixo:

1º INDICE: índice da soma total do aproveitamento: neste índice faremos a identificação do total de questões e/ou pontuações da prova, que será comparado ao total de pontos alcançados por todos os alunos que fizeram a prova. P Ex: se a prova tiver 100 questões ou 100 pontos cada uma, e forem aplicadas 50 provas, calculamos multiplicando o número total de questões/pontos pelo número total de provas (100 x 50 = 5000). E somamos então o total de questões/pontos aproveitados pela totalidade dos alunos: imaginemos que o índice geral de aproveitamento (acerto) foi de 3.500 questões/pontos, teremos então uma média geral de 70% de aproveitamento, sendo este um índice geral das escolas formadoras juntas. Este índice, resumindo, nos uma idéia geral da formação em homeopatia no Brasil.

2º ÍNDICE: Índice da soma parcial de aproveitamento por tema: neste índice, faremos a identificação do total de questões/pontuações para cada tema específico, seguindo a mesma linha de raciocínio anterior, mas calculando para cada tema, em separado, o seu índice de aproveitamento nacional. P. ex: se a prova anterior tiver 10 questões/pontos relativos ao tema REPERTORIZAÇÃO, tomamos este número e multiplicamos pelo total de provas (10 x 50 = 500); somamos então o total de questões/pontos relativo a este tema, aproveitados pela totalidade dos alunos. Imaginemos que tenha sido 250, então teremos uma média de 50% de aproveitamento para o tema REPERTORIZAÇÃO. Este índice, resumindo, nos dá uma idéia geral da formação em homeopatia no Brasil, para cada tema específico.

3º ÍNDICE: índice da soma total de aproveitamento por escola: neste caso, multiplicamos o número total de alunos daquela escola pelo número de total de questões/pontuações da prova. Ex: 8 alunos fazem 100 questões/pontos, num total de 800. Imaginemos que do total, foram aproveitados 640 questões /pontos, então teremos uma média de 80% de aproveitamento, estando esta escola acima da média nacional, apontada no exemplo do primeiro índice. Em resumo, este índice nos dá a idéia da situação geral da ESCOLA FORMADORA, em relação à média nacional.

4º ÍNDICE: índice da soma parcial de aproveitamento por tema, para cada escola: neste caso, multiplicamos o número total de questões/pontos de cada tema pelo número total de alunos da referida escola, somando o total de questões/pontos aproveitados por estes alunos, e teremos então o cálculo do índice específico para aquele tema, naquela escola, e poderemos comparar então com o índice nacional, apontado no 2º índice, acima. No exemplo do tema REPERTORIZAÇÃO (10 questões/pontos) acima, para uma escola com 8 alunos: 10 x 8 = 80 questões pontos no total. Se tivermos aproveitamento de 48 questões/pontos, identificamos que esta escola tem um índice maior (60%) de aproveitamento, que a média nacional relativos a este assunto.

Podemos sintetizar estas idéias numa fórmula geral, assim expressa:
O número de questões/pontuações aproveitados divididos pelo número total de questões/pontuações respondidas, apenas adaptando o numerador e o denominador para cada objetivo identificado em cada índice examinado.

Com base nestes índices, a comissão de AVALIAÇÃO DE CURSOS poderá então criar o plano de orientação para as escolas, no sentido de promoverem seu aperfeiçoamento cada vez mais, identificando onde apresentam seus pontos fracos, onde estão melhor situadas, quais escolas podem cooperar com as outras, no sentido de trocarem experiências e melhorarem os índices por temas. Sendo que a reavaliação dos índices nos anos subseqüentes, vão agregando a informação ainda de quais escolas foram capazes de absorver e aplicar um plano de elevação de qualidade pedagógica, no sentido de cada vez mais, atingirmos o objetivo de estarmos UNIFICANDO A FORMAÇÃO DO HOMEOPATA BRASILEIRO, e elevando gradualmente sua qualidade.

Carlos Alberto Fiorot

Coordenador da Comissão de Avaliação de Cursos

Em: Fev/2006
O levantamento inicial que fazemos em relação ao trabalho direcionado à avaliação de cursos, junto à AMHB, demonstra tímidas iniciativas, e mais > tímidas ainda as execuções de propostas relacionadas à mesma. De maior importância e significado, e servindo como ponto de partida para a atual COMISSÃO, é o PROTOCOLO 94/96, elaborado sob a coordenação do Dr. Matheus Marim (em anexo), que merece grandes e sinceros elogios, estabelecendo como objetivo recomendar o aperfeiçoamento da INSTITUIÇÃO como um todo, sedimentando cada vez mais o binômio do ensino relacionando a teoria e a prática, e onde aponta para um trabalho criterioso neste sentido. Após leitura e reflexão sobre o referido protocolo, elaborei algumas críticas e propostas complementares sobre o mesmo, para início dos trabalhos da atual gestão. Considerando que a HOMEOPATIA é a somatória das ações dos homeopatas, das entidades, dos congressos, incluindo aí seus defeitos, suas falhas, suas qualidades, suas características e limitações; que é a somatória da clínica de cada um no dia a dia, da literatura, das entidades formadoras e suas conseqüências, lutar pelo aprimoramento e pelo crescimento de qualquer destes setores ou itens mencionados é lutar pela grandeza cada vez maior da nossa especialidade. E avaliar e aperfeiçoar as entidades formadoras, é fator de primeira grandeza.

Assim, sobre referido protocolo, gostaríamos de tecer as seguintes considerações:

1) A PRIMEIRA CRÍTICA ao protocolo é do ponto de vista amplamente positivo e afirmativo, merecedor de sinceros elogios, na medida em que impulsiona as iniciativas de trabalho numa área tão difícil. AVALIAR didática e pedagogicamente uma instituição é sempre um processo de caráter complexo e delicado, e o intuito do trabalho não é da desqualificação ou qualificação pura e simples, mas criar e desenvolver MÉTODOS que impeçam julgamentos de natureza e de interesse pessoal, de grupos, ou de regiões, dando a estes métodos caráter impessoal para que a justeza do processo seja o máximo possível, já que avaliar com justeza absoluta é praticamente impossível, dado uma série de fatores e condições que interferem na mesma, onde devemos levar em consideração o fator TEMPO/ESPAÇO, as diversas condições do curso, incluindo ainda o meio onde ele se insere, além de fatores sócio-econômicos e políticos, só para começar.

Daí o protocolo aponta o caminho correto:
ESTABELECER CRITÉRIOS e MÉTODOS, corretamente selecionados, que democraticamente se aplica a todos. No entanto, identificamos uma primeira falha no protocolo, na medida em que se preocupa amplamente com as condições de avaliação do curso em si, e não estabelece critérios para avaliar o meio onde o mesmo se insere, para que possamos traçar diagnóstico de problemas, e apontarmos soluções que interessam À HOMEOPATIA, levando também em consideração as possibilidades e as dificuldades do meio onde o curso está estabelecido, destacando elementos alheios ao mesmo, mas que interagem diretamente no seu desempenho e desenvolvimento, para propiciar à AMHB elementos melhores e mais completos no sentido de apontar as soluções dos problemas detectados.

Dito isto,
2) APONTAMOS A SEGUNDA CRÍTICA, e no nosso entender, a primeira falha, por não estabelecer e criar mecanismos de avaliarmos o meio onde o curso está inserido, para avaliarmos as possibilidades e dificuldades alheias ao próprio curso e sua estrutura, e que influência recebe e devolve a este meio em sua interação científico-cultural. Assim, quantos e quais entidades formadores temos, como se distribuem geograficamente, como estão as federadas em suas áreas de influência? Quantos homeopatas atuam ali, e que percentagem representam em relação ao total dos médicos desta área? De onde vêem seus alunos e para onde vão atuar depois de formados? Quantas faculdades de medicina ali existem, quantos médicos se formam por ano, e qual a percentagem que está procurando os cursos de HOMEOPATIA. Qual a concentração populacional? E a renda per capta? Nível médio de escolaridade e base econômica da região. Quantos fazem curso e quantos atuam na Homeopatia? E onde atuam (consultórios, SUS, hospitais, meios acadêmicos)? Qual a percentagem que abandona a especialidade no meio do curso, e depois de formado? Lembramos que estes critérios são mais de avaliação de índices, e coletivos. Mais de cunho macro. Seria esta uma primeira falha que consideramos a ser corrigida e superada, no projeto.

3) A TERCEIRA CRÍTICA, e segunda falha que, achamos, deve ser superada, levando novamente em consideração a AVALIAÇÃO como um processo dinâmico, contínuo, e considerando ainda a atualização e correção dos próprios CRITÉRIOS E MÉTODOS estabelecidos pela CAC para avaliar, seria a criação de condições para a própria COMISSÃO e SEUS MÉTODOS receberem críticas, fazer as próprias auto-críticas e permitir que o tempo exerça também a democracia de dar vida e desenvolvimento ao processo avaliador, tornando-o sempre um instrumento inovado. ASSIM, enquanto a comissão estabelece CRITÉRIOS PARA AVALIAR CURSOS, ao mesmo tempo também ela deve criar critérios para ser AVALIADA e se AUTO-AVALIAR, para que além de desenvolver propostas para desenvolvimento dos cursos, ao mesmo tempo ela própria possa ir se reciclando e aprimorando, no sentido de qualificar continuamente o seu próprio trabalho.

4) COMO QUARTA CRÍTICA e terceira falha que apontamos, por considerarmos importante como critério de avaliação de curso, de forma indireta, para apontar através de mais este indicador, um elemento de avaliação de sua eficiência, seria o diagnóstico da consolidação do seu trabalho e esforço em prol da HOMEOPATIA e da SOCIEDADE, através do rastreamento e do seguimento dos alunos ali formados, dando-nos um índice da eficiência do seu trabalho em diversos sentidos, como por exemplo: Quantos formados continuam exercendo a Homeopatia? Quantos se reciclam? Quantos participam das federadas e das demais lutas e organizações institucionais, nas suas mais diversas formas e níveis, interagindo inclusive com outras especialidades? Quantos adquirem possibilidade de defenderem teoricamente a HOMEOPATIA? Que fatores interferem para modificar para melhor os índices pesquisados, em relação ao destino e aproveitamento dos médicos formados?

Uma vez tecidas estas primeiras considerações para esta gestão, no que diz respeito à COMISSÃO DE AVALIAÇÃO, deixo um abraço a todos, e peço que avaliem, opinem, critiquem, para que possamos colocar fermento na massa, e começarmos a trabalhar. Lembrando que só foi possível críticas e apontar fatores positivos e falhos, por que algo já foi feito. Portanto, merecedor de todo nosso respeito, agradecimento, admiração e aproveitamento, aumentando a nossa responsabilidade em aprimorá-lo e aplicá-lo.

Carlos Alberto Fiorot.

Protocolo de Avaliação de Cursos

 

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